Promovendo Atendimento Humanizado, Equitativo e Igualitário a Mulheres Lésbicas: O Papel Vital das Intervenções Educativas em Saúde

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Saúde da Mulher

Temas Correlatos: Saúde da Mulher;

Acessos neste artigo: 71


Certificado de participação:
Certificado de Andreia Da Fonseca Araujo

Certificado de publicação:
Certificado de Andreia Da Fonseca Araujo

COMPARTILHE ESTE TRABALHO

AUTORIA

Andreia Da Fonseca Araujo , Blanches De Paula , Maria Do Carmo Fernandes , Rosa Frugoli

ABSTRACT
Introdução: No atendimento médico a mulheres lésbicas, sobretudo ginecológico, comumente pode-se observar o preconceito e a discriminação dos profissionais da área da saúde permeando as consultas médicas. Os profissionais da saúde, por despreparo ou desinteresse, demonstram não saber como abordar e mesmo examinar clinicamente essas pacientes, prestando assistência inadequada ao tratamento das doenças a que são acometidas. Perguntas impróprias são feitas à essas mulheres desde o início da consulta, por estes profissionais, tais como se utilizam métodos contraceptivos, como fazem para prevenir gravidez, se possuem vida sexualmente ativa com seu companheiro, se sentem desconforto na prática sexual, dentre outras, até que, constrangidas, essas pacientes revelam serem lésbicas e, nesse ato da revelação, a consulta médica toma outro direcionamento. As pacientes passam a ser tratadas pelo médico com discriminação e preconceito, sendo priorizada sua orientação sexual em detrimento ao motivo da busca pelo atendimento médico, aos sintomas e às doenças a que as pacientes estão sendo acometidas. Essa situação evidencia a falta de preparo e de sensibilidade nos serviços de saúde em lidar com a diversidade sexual e afetiva, gerando um ambiente hostil e pouco acolhedor para as mulheres lésbicas, especialmente na área médica ginecológica. E, nesse cenário, pode-se observar que os serviços de saúde, ao invés de promover cuidado, propagam doença, pois contribuem para uma violência à essas mulheres, por meio da discriminação, invisibilização, estigmatização e preconceito. Objetivos: Este estudo tem como objetivo demonstrar a importância de se haver intervenções educativas em saúde. Trata-se de ações cruciais para que os profissionais sejam adequadamente capacitados acerca da diversidade sexual, para além de uma orientação heteronormativa, mas inclusive e respeitosa a qualquer forma de vida humana. Este estudo busca ainda contribuir para o fortalecimento de políticas públicas e práticas de saúde inclusivas e sensíveis as demandas das mulheres lésbicas, considerando seus direitos à um atendimento digno e respeitoso. Método: O presente estudo é parte integrante da pesquisa O Sofrimento dos Homossexuais Vítimas de Violência: Um Estudo do Fenômeno na Perspectiva da Psicologia Junguiana, aprovada no Comitê de Ética - CAAE: 52943621.6.0000.5508, da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). As participantes foram mulheres autointituladas lésbicas, maiores de 18 anos e que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE, apresentando relatos de violência por meio de preconceito e discriminação sofridas na área da saúde, durante consultas médicas ginecológicas. O método utilizado foi qualitativo do tipo exploratório, desenvolvido por meio do delineamento de estudo de caso, utilizando-se, para coleta de dados, de entrevista semiestruturada, teste de depressão e inventário de qualidade de vida. Para este estudo, a fim de se analisar as entrevistas, utilizou-se da Análise Temática – AT para se avaliar e relatar padrões de ocorrências e sentidos. Resultados: Este estudo apontou que a lesbianidade é uma expressão natural de manifestação da sexualidade humana; que os atendimentos médicos, sobretudo ginecológicos, são perpassados por violência que se apresenta por meio de preconceito e discriminação para com as mulheres lésbicas; que existe uma inabilidade médica em se atender e se tratar mulheres que não condizem aos padrões sociais heterossexuais, e isso se deve ao fato de os profissionais da saúde desconhecerem ou se desinteressarem sobre a diversidade humana e suas formas de manifestação e vivência da sexualidade; que é fundamental que se tenha intervenções educativas em saúde, a fim de que haja um atendimento mais humanizado, equitativo e respeitoso a todas as mulheres, independentemente de sua orientação sexual, classe social ou raça. Considerações Finais: Em uma sociedade pautada nos padrões heteronormativos de sexualidade, as mulheres lésbicas sofrem violência por meio de preconceito, discriminação e tentativa de invisibilização em todos os setores da vida, sobretudo, na saúde. Nesta pesquisa, os profissionais médicos, mediante a revelação da orientação sexual dessas mulheres, mudaram suas condutas médicas e as trataram de forma discriminatória e preconceituosa e, por vezes, demonstraram insegurança e inabilidade médica com o exame clínico e tratamento médico à essas pacientes. Não abordaram junto a essas pacientes assunto importantes como a doenças sexualmente transmissíveis e infecções sexualmente transmissíveis – ISTs, pois se sentem desconfortáveis ou mesmo desconhecem a realidade dessas mulheres. Essa omissão médica pode acarretar consequências nefastas, como a falta de prevenção e tratamento de doenças que acometem essa população. Para que esta realidade seja modificada, defende-se a importância de intervenções educativas na área da saúde aos profissionais da área médica como um todo. Ademais, a ampliação de políticas públicas, visibilidade e respeito às mulheres lésbicas, promovendo uma saúde, especialmente ginecológica, equitativa e humanizada a todas as mulheres.

Palavras-chave: mulheres lésbicas; saúde ginecológica; violência, discriminação e preconceito médico; intervenção educativa em saúde, equidade e humanização no atendimento médico.

Referências 
Araújo, Rodrigo Almeida Santiago, Oliveira, Raquel de Santana, Dias, Júlia Maria Gonçalves, Fontes, Gabriela de Queiroz, Silva, Thaís Serafim Leite, Gonçalves, Amanda Silvestre Santos, & Albuquerque, Alessandra Aleixo. (2021). As barreiras das mulheres que fazem sexo com mulheres no acesso à saúde no Brasil. Revista Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento. São Paulo, 10(17), pp. 1-7. https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/23602

Assis, Bárbara Freitas, Araújo, Juliane Cunha, Galdino, Lorena Pina, Pimentel, Manuella Silva Leite, & Martins, Manuela de Carvalho Vieira. (2017). Homossexualidade feminina e a consulta ginecológica: uma revisão integrativa. Congresso Internacional de Enfermagem. Universidade Tiradentes. São Paulo, pp. 9-12. https://eventos.set.edu.br/cie/article/viewFile/5533/2044

Bourdieu, Pierre. (2012). A Dominação Masculina. Trad. Maria Helena Ku?hner. 11 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.

Braun, Virginia, & Clarke, Victoria. (2006). Using thematic analysis in psychology. Qualitative Researchin Psychology, 3(2), pp. 77-101. https://doi.org/10.1191/1478088706qp063oa 

Carvalho, Cintia Sousa, Calderaro, Fernanda, & Souza, Solange Jobin. O dispositivo ''saúde de mulheres lésbicas'': (in)visibilidade e direitos. (2013). Revista Psicologia Política. São Paulo, 13(26), pp. 111-127.  http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rpp/v13n26/v13n26a08.pdf

Fernandes, Marisa, Luiza, Luiza Dantas Soler, & Leite, Maria Cecília Burgos (2018). Saúde das mulheres lésbicas e atenção à saúde: nem integralidade, nem equidade diante das invisibilidades. Revista BIS. São Paulo, 19(2), pp. 37-46.  https://docs.bvsalud.org/biblioref/2019/09/1016485/bis-v19n2-diversidade-37-46.pdf

Foucault, Michel. História da sexualidade: a vontade de saber (1988). Tradução de Maria Thereza da Costa Albuquerque, José Augusto Guilhon Albuquerque. 7.ed. Rio de Janeiro, RJ: Graal. v.1. (Biblioteca de filosofia e história das ciências, 2).

Guiñez, Carolina P. Alquimia del deseo lesbiano. Revista Fuga, Revista Junguiana de Psicología, Género y Culturas Disidentes, maio 2019. https://revistafuga.home.blog/

Irigaray, Hélio Arthur, & Freitas, Maria Ester. Sexualidade e organizações: estudo sobre lésbicas no ambiente de trabalho. (2011). Revista Organizações & Sociedade. Salvador, 18(2), pp. 625-641. https://doi.org/10.1590/S1984-92302011000400004 

Jesus, Jaqueline Gomes. (2012). Orientações sobre Identidade de Gênero: Conceitos e Termos. E-book, 2. Ed. https://www.diversidadesexual.com.br/wp-content/uploads/2013/04/G%C3%8ANERO-CONCEITOS-E-TERMOS.pdf. 

MacRae, Edward. (2018). A construção da igualdade-política e identidade homossexual no Brasil da “abertura”. [livro eletrônico]. EDUFBA, pp. 119-135. https://doi.org/10.7476/9788523219987

Minayo, Maria Cecília de Souza (2001). Pesquisa Social. Teoria, método e criatividade. 18. ed. Petrópolis: Vozes.

Parente, Jeanderson Soares, Moreira, Felice Teles Lira; Albuquerque, Grayce Alencar. Violência física contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais no interior do nordeste brasileiro. (2018). Revista de Salud Publica. Colômbia, 4(20), pp. 445-452. https://doi.org/10.15446/rsap.V20n4.62942

Rodrigues, Juliana Luiz, & Falcão, Marcia Thereza Couto. Vivências de atendimentos ginecológicos por mulheres lésbicas e bissexuais: (in)visibilidades e barreiras para o exercício do direito à saúde. (2021). Revista Saúde e Sociedade. São Paulo, 30(1), pp. 1-14. https://doi.org/10.1590/S0104-12902021181062

Santana, Paula Ferreira, & Rasera, Emerson. Heterossexismo e a (in)existência lésbica. (2018). Revista de Psicologia da UNESP. São Paulo, 17(1), pp. 34-49. https://www.researchgate.net/publication/343570361_Heterossexismo_e_a_inexistencia_lesbica/link/60ec3d04fb568a7098a21423/download

Santos, Suely Emília de Barros, Silva, Ellen Fernanda Gomes. Fenomenologia Existencial como caminho para a investigação qualitativa em Psicologia. Revista do NUFEN. Universidade Federal do Pará. Belém, 9(3), p. 110-126. http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rnufen/v9n3/a08.pdf

Shaughnessy, John. J., Zechmeister, Eugene B., & Zechmeister, Jeane S. (2012). Métodos de Pesquisa em Psicologia. 9. ed. Porto Alegre: AMGH.

Silva, Erik Ruan Santana. Subjetividades e Visibilidade LGBTQIA+ na Ciberpublicidade: uma análise de discurso nos comentários publicados nas campanhas de Doritos Rainbow no Facebook. (2020). [Dissertação de Mestrado – Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN]. Natal, p. 112. https://repositorio.ufrn.br/bitstream/123456789/28932/1/SubjetividadesvisibilidadeLGBTQIA_Silva_2020.pdf

Silveira, Denise Amorelli. O amor entre parceiros do mesmo sexo: outras formas do amor. In Salles, C. A.; & Melo, J. M. orgs. (2011). Estudos sobre a Homossexualidade. 1. ed. São Paulo: Vetor.

Tonetto, Leandro Miletto, Brust-Renck, Priscila Goergen, & Stein, Lilian Milnitsky. (2014). Perspectivas metodológicas na pesquisa sobre o comportamento do consumidor. Revista Psicologia, Ciência e Profissão. Brasília, 34(1), pp. 180-195.  https://doi.org/10.1590/S1414-98932014000100013 

Vasconcelos, Caê. (2019). Por que falar em LGBTfobia e não homofobia?  https://ponte.org/artigo-por-que-falar-em-lgbtfobia-e-nao-homofobia/

Yin, Robert K. (2016). Pesquisa qualitativa do início ao fim. Porto Alegre: Penso.

Para participar do debate deste artigo, .


COMENTÁRIOS

Tema pertinente e pouco comentado. É essencial que o profissional da saúde ofereça uma escuta e atendimento humanizado e respeitoso para as mulheres, independente de orientação sexual, a fim de propor um espaço de promoção e prevenção da saúde. Parabéns pela pesquisa!

Foto do Usuário Dayne Maria Zacarias Da Silva 15-11-2023 21:17:12

Tema importantíssimo a ser debatido e posto em prática pelos trabalhadores da saúde. Parabéns!

Foto do Usuário Vitória De Souza Carvalho 16-11-2023 22:01:15

Tema atual, de grande relevância! Nas universidades é de fundamental importância a abordagem do tema, preparando cada vez mais profissionais humanizados, empáticos e preparados para lidar com a pluralidade social.

Utilizamos cookies essenciais para o funcionamento do site de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.