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Convibra Conference - CONSUMO ALIMENTAR EM PACIENTES COM INSUFICIÊNCIA CARDÍACA EM HOSPITAIS PÚBLICOS E PRIVADOS DE ARACAJU/SE
CONSUMO ALIMENTAR EM PACIENTES COM INSUFICIÊNCIA CARDÍACA EM HOSPITAIS PÚBLICOS E PRIVADOS DE ARACAJU/SE

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Educação Física, Nutrição, Fisioterapia e áreas afins na Gestão, Educação e Promoção da Saúde

Temas Correlatos: Educação Física, Nutrição, Fisioterapia e áreas afins na Gestão, Educação e Promoção da Saúde;

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AUTORIA

Jamille Costa

ABSTRACT
INTRODUÇÃO 
A Insuficiência Cardíaca (IC) tem ganhado prioridade na atenção nos setores de saúde em todo o mundo. Esta síndrome clínica, proveniente da incapacidade do coração de bombear sangue e fornecer nutrientes para atender à demanda tecidual, tem sido responsável por 21% das internações e por 10,8% das causas de mortalidade por doença cardiovascular no Brasil. A estimativa é que, em 2030, mais de 8 milhões de pessoas estejam com IC no mundo e sejam vítimas das suas limitações psicológicas e físicas – o que compromete a execução das atividades habituais diárias e a qualidade de vida. De acordo com a Diretriz Brasileira de IC (2018), o tratamento dessa enfermidade, para minimizar os desfechos clínicos não favoráveis, envolve tratamentos farmacológicos e não farmacológicos, dentre os quais se destaca a alimentação. Mas, da mesma forma que outros guidelines, a diretriz realiza a abordagem focada na ingestão de macro e/ou micronutrientes com recomendação de baixa ingestão de carboidrato simples, gordura saturada ou trans e sódio, priorizando fontes de carboidrato complexo, gordura mono e poliinsaturadas. Desde 1998, a OMS recomenda que a relação entre alimentação e saúde seja investigada não apenas pela ingestão de macro e micronutrientes isolados, mas também por meio de padrões Alimentares. Entende-se por padrão a combinação de alimentos e bebidas nas suas diferentes formas de preparo, considerando os efeitos sinérgicos e antagônicos dos diferentes componentes dietéticos. Trazer esse olhar para a epidemiologia nutricional, no âmbito do consumo alimentar, é de extrema importância, pois este é um processo complexo, que não envolve apenas a ingestão de nutrientes, mas, sobretudo, uma complexidade e alteração de fatores que serão considerados nas análises multivariadas para o estabelecimento dos padrões. O padrão alimentar tem intervenção direta no estado nutricional e, por consequência, altera os parâmetros clínicos, antropométricos e bioquímicos que resultam no desenvolvimento das doenças cardiovasculares. A utilização de alimentos ultraprocessados e processados é desencadeadora e estimula o aumento nos níveis de gordura e açúcar no organismo, se consumidas de forma rotineira, agrava o estado nutricional e provoca o surgimento de patologias associadas, devendo, então, dar preferência aos alimentos in natura e minimamente processados. Diante do exposto, o objetivo do presente estudo foi avaliar o consumo alimentar de pacientes com IC descompensados internados em hospitais públicos e privados em Aracaju/ SE. 

METODOLOGIA 
Este estudo caracteriza-se por ser transversal, sendo iniciado em abril de 2022 e com programação para finalização de coletas em outubro do recorrente ano. A coleta de dados ocorre em três hospitais de referências em cardiologia em Aracaju/SE, sendo 2 públicos e 1 privado com seleção da amostra por demanda espontânea. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Sergipe (CAAE: 87651117.8.0000.5546; Parecer: 2.670.347). Todos os participantes ou responsável assinam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e em caso de impossibilidade, é coletada a impressão digital do paciente ou responsável. A pesquisa foi realizada com indivíduos igual ou maior de 18 anos de ambos os sexos diagnosticados com IC. A triagem inicial foi realizada pela equipe cardiológica dos hospitais e pelo grupo de pesquisadores por meio dos Escore de Boston e critérios de Framingham. Foram excluídos os pacientes que estiveram em acompanhamento nutricional durante o estudo ou eram adeptos à prática de dietas especiais (dieta vegetariana, dieta de restrição calórica, etc.) nos três meses anteriores ao estudo, também aqueles que apresentaram dificuldade de alimentação via oral, condição psiquiátrica ou neurocognitiva comprometida. Os dados são coletados nos prontuários e por meio de um questionário desenvolvido especificamente para este estudo, contendo perguntas de identificação (idade e sexo), dados sociodemográficos (raça, escolaridade, renda familiar), fatores de risco (presença de Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT’s), história familiar de doença arterial coronariana e eventos cardiovasculares) e fator etiológico da IC (isquêmica, hipertensiva, cardiomiopatia dilatada idiopática, doenças de chagas, valvar, miocardite, secundária a quimioterápicos ou outros). Já a qualidade de vida dos pacientes foi quantificada pela classificação funcional de IC da New York Heart Association (NYHA), que estratifica pelo grau de limitação física as classes I, II, III e IV. As variáveis de estilo de vida, tais como tabagismo (fumantes ou não-fumantes), prática regular de atividade física (sim ou não) e a intensidade também foram coletadas. Após estabilização do paciente, foram mensurados peso e altura. Para a aferição do peso corporal, utilizou-se balança digital eletrônica com capacidade máxima de 180 quilogramas e aproximação de 100 gramas. A estatura foi aferida utilizando-se estadiômetro da marca Personal Caprice Sanny®, com marcações em milímetros e capacidade de medição de até 210 cm. Para estimativa de peso e estatura utilizou-se a fórmula de Chumlea (1994). O índice de Massa Corporal (IMC) foi calculado pela razão entre o peso corporal (quilogramas) e a estatura ao quadrado (metros) e classificado com base nos pontos de corte propostos pelo Ministério de Saúde. A ingestão dietética diária (calorias, macro e micronutrientes) de 86 alimentos foi avaliada por meio do Questionário de Frequência Alimentar (QFA) semiquantitativo adaptado para a população em estudo a partir do instrumento desenvolvido por Furlan-Viebig e Pastor-Valero (2004), conforme anexo C. Os alimentos relatados foram categorizados conforme a extensão e propósito de processamento em três grupos: 1- in natura ou minimamente processados; 2 - alimentos processados e 3 - alimentos ultraprocessados. Os alimentos pertencentes ao grupo 1 ou 2 que foram misturados com do grupo 3 teve classificação nesse último grupo. A quantificação do consumo energético de macro e micronutriente contou-se por meio do software Virtual Nutri. Posteriormente, foi analisado o percentual de ingestão calórica e macronutrientes de acordo com os grupos alimentares. Os resultados foram apresentados a partir da frequência, média ± DP. Para comparação entre as variáveis foi utilizado o teste Qui-quadrado considerando o nível de significância de 5 % (p < 0,05). As análises estatísticas foram realizadas no software Statistical Package for Social Science, SPSS, for Windows, versão 20.0. Além disso, foram veiculados também através de relatórios técnico-científicos, artigos científicos em revistas especializadas e/ou congressos científicos, mantendo sigilo sobre a identificação dos voluntários. 

RESULTADOS
 No presente estudo, foram avaliados 34 pacientes, cujo maior percentual pertence à rede pública de saúde (78,8%). A caracterização sociodemográfica da população estudada. As médias de idade foram de 55,1±14,1 anos para o Sistema Único de Saúde (SUS) e cerca de 66,6±19,3 (p=0,05) anos para Rede Suplementar de Saúde (RSS). Quanto ao sexo, o público predominante no SUS foi o feminino (57,7%), enquanto na RSS foi o masculino (63,2%). Quanto ao perfil de saúde, observou-se que, no SUS, a maioria da população avaliada apresentava hipertensão (64,8%), seguida de dislipidemia (36,6%) e diabetes (33,8%). Já na rede privada, o maior percentual foi de pacientes hipertensos (57,9%), seguido de diabetes (42,1%) e dislipidemia (36,8%). A classe de IC de maior prevalência foi a de NYHA 4 em ambos os locais de atendimento. Em relação ao diagnóstico nutricional por meio do IMC, observou-se que, em ambos os serviços, a maior prevalência foi acima do peso, seguido de eutrofia, não apresentando diferença significativa entre os locais de atendimento. A magreza foi mais prevalente no RSS. Ao analisar o consumo alimentar por grupos de acordo com o grau de processamento, notou-se uma maior participação na ingestão calórica e de nutrientes para o consumo de alimentos in natura seguido dos ultraprocessados. No grupo dos macronutrientes, observa-se que processado e ultra ofertam maior quantidade de lipídios, gordura saturada e trans em relação aos alimentos in natura. No que tange às fibras alimentares, observou-se que a ingestão foi acima do recomendado, porém os processados e ultra ofertaram a menor quantidade. Quanto aos micronutrientes, mais de 50% do consumo de sódio foi atribuído à ingestão excessiva desses alimentos enquanto os antioxidantes, como zinco e selênio, foram ofertados pelos in natura. Ao avaliar a adequação de consumo alimentar, observou-se, no grupo alimentar de macronutrientes, consumo impróprio de carboidrato com maior prevalência na rede pública (59,2%) e um percentual considerável de lipídios na RSS (26,3%). Já na análise dos micronutrientes, o sódio apresentou maior inadequação nos dois locais de serviço com maior percentual na rede privada (84,2%) e a vitamina D obteve um percentual de inadequação na rede pública de saúde (74,6%).

CONCLUSÃO: 
Deficiências no consumo de alguns nutrientes foram observadas intensificando a necessidade de intervenções nutricionais voltadas para esse público, no sentido de precaver o desenvolvimento e agravo da doença por desequilíbrios nutricionais.

Referências:
SAVARESE, Gianluigi; LUND, Lars H. Global public health burden of heart failure. Cardiac failure review, v. 3, n. 1, p. 7, 2017. 
CHEN, Xiaojia; ZHANG, Zhang; YANG, Huijie et al. Consumption of ultra-processed foods and health outcomes: a systematic review of epidemiological studies. Nutrition journal, v. 19, n. 1, p. 1-10, 2020. 
FURLAN-VIEBIG, Renata; PASTOR-VALERO, Maria. Desenvolvimento de um questionário de freqüência alimentar para o estudo de dieta e doenças não transmissíveis. Revista de Saúde Pública, v. 38, p. 581-584, 2004.

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