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Convibra Conference - A Clínica com Gêmeos e Suas Especificidades
A Clínica com Gêmeos e Suas Especificidades

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Corpo, dor, silêncio

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AUTORIA

Vanessa Freitas , Taísa Nerath Martinelli

ABSTRACT
A gemelaridade é um tema que ocupa lugar no imaginário popular, provocando curiosidade, admiração e até desassossego. A relação gemelar, situações e desafios afirmados nos relatos de pais com filhos gêmeos, parecem ser atravessados por ideais acerca do que é ser gêmeo ou ter filhos nesta condição. Dentre tais ideais, está a associação destes com a qualidade de iguais e inseparáveis. Com frequência, na clínica, pais de gêmeos falam sobre o desafio de construir um lugar singular para cada filho, já que a diferença pode remeter à “injustiça”. Juliana solicita atendimento para as filhas gêmeas monozigóticas de 5 anos. Duas psicanalistas do Grupo Gemelar se dispõem a escutá-la. Ela questiona sobre o traço de normalidade das filhas que se mostram mais infantis do que deveriam ser: “Elas usam a maquiagem para se pintar como palhaço, isso é normal na idade delas?”. Parecem ser mais ativas do que as crianças com quem convive: “Será que elas têm TDAH?”. Angustia-se por não conseguir colocar ordem entre as meninas que, a cada bronca, riem da mãe: “Já pensei que podem ter autismo”. Além de preocupar-se por não conseguir colocá-las para dormir: “Elas não respeitam regras e fazem muita bagunça”. Como direção do trabalho clínico, propõe-se que cada uma das crianças, Gabriela e Isadora, seja atendida por uma psicanalista. Logo fica claro que não apresentam as patologias que aparecem nas queixas da mãe. Percebe-se que elas usam seus espaços individuais para enfatizar o que as diferencia: gostos por animais e cores ou o modo de escrever a letra “i” do nome de cada uma. Durante as entrevistas, Juliana expressa seu mal-estar sobre ter filhas gêmeas: “talvez por ter sido filha única”, hipotetiza. Isto se evidenciava quando se referia a elas no singular: “ela” e não “elas”. Se sentia excluída da dupla que as gêmeas formavam; ela, filha única, dizia não ter encontrado as companheiras que esperava. No caso apresentado, foi realizado um trabalho clínico importante em que Gabriela, Isadora e seus pais puderam ser escutados em espaços particulares. Deste modo, pretende-se discutir as questões da gemelaridade existentes nesta família, tendo em vista a pressa da mãe em ter respostas diagnósticas e o tempo necessário para que as crianças, em análise, pudessem delinear um espaço para si. É sobre as especificidades da clínica com gêmeos, bem como o mal-estar revelado nos discursos dos familiares que a apresentação deste trabalho se debruça. No encontro entre a pessoa que está em sofrimento e o analista que oferece a sua escuta, é possível advir a busca pelo sentido das vivências ditas e sua transformação através da experiência narrativa. Assim, o estatuto da linguagem vai cumprindo sua função de nortear a clínica a caminho da transformação enquanto caráter curativo. Isto é, investir na potencialidade que habita as construções narrativas das histórias de cada sujeito e seu compartilhamento no laço social.  

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