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Convibra Conference - ''Dodói, dodói, ajuda!'' - A Apropriação do Corpo como Operação Central da Constituição do Sujeito na Primeira Infância
''Dodói, dodói, ajuda!'' - A Apropriação do Corpo como Operação Central da Constituição do Sujeito na Primeira Infância

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Corpo, dor, silêncio

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AUTORIA

Cláudia Grisi Mouraria

ABSTRACT
Esse trabalho foi produzido para a conclusão do curso de especialização em Estimulação Precoce e Clínica Transdisciplinar do Bebê.  Abordamos alguns pontos centrais a clínica da Estimulação Precoce com bebês e pequenas crianças. Posto que essa clínica se dedica a um período constitutivo no qual a estrutura não está definida nem orgânica nem psiquicamente, colocamos em especial relevo o conceito de desenvolvimento. Em relação ao setting, temos a necessidade da presença parental no tratamento, por se intervir em um momento da vida no qual a apropriação imaginária do corpo e a produção do Eu ainda não se constituíram. A importância da ampliação da formação do clínico, a fim de sustentar uma compreensão transdisciplinar do sintoma que se dá a ver no corpo. Seguimos dois casos, no qual a questão da apropriação do corpo enquanto operação central da constituição do sujeito na primeira infância, pode ser localizado desde a incidência do discurso parental. Trata-se de duas pequenas crianças com comprometimento do desenvolvimento. A pequena criança tem na corporalidade uma base para transpor os afetos, que incidem desde o corpo, em sentimentos. No caso de Silvio, devido a ausência de registro simbólico, sequer registrava o afeto de desconforto urinário. Dessa forma o fluido escoava, sob a forma de uma incontinência urinária. Quando a amarração entre os significantes – que orienta o sujeito – é falha, essas crianças deixam escapar, em pequenas manifestações psicóticas, aquilo que não foi simbolizado. Se ''o inconsciente é o discurso do outro'', constatamos em Alexa, a dimensão que o discurso e as fantasias inconscientes do outro primordial tem na constituição do sujeito psíquico. Quando rechaçadas elas não deixam de existir, mas podem comparecer de maneira invasiva. Sobretudo quando o alinhavo corporal se encontra precário, como em ambos os casos. Para Alexa, o espelhamento massivo das fantasias do outro criavam uma turvidez ao olhar da mãe, desvirtuando-o do caráter primordialmente reflexivo – relativo ao do estádio do espelho e fundamental a constituição do Eu. Alexa demandava, numa frase robótica e construida com sujeito indeterminado: “Dodói, dodói ajuda!”. A omissão do pronome pessoal em primeira pessoa (me) é tão elucidativa do sintoma dessa garotinha, que a adotamos como título do trabalho. A ausência do pronome ilustra a falha na constituição do Eu (moi), nos processos de unificação corporal, na organização do conjunto de traços identificatórios, na construção da imagem corporal e na capacidade de estabelecer diferenças simbólicas. A partir da escuta clínica foi possível localizar uma brecha nessa equação sintomática-sintagmática com a fantasmática materna. Após o estabelecimento da transferência e apostando que havia ali um sujeito minimamente inserido na linguagem e que, a partir dessa localização, emitia uma demanda a ser (de)cifrada. Assim, fortuitamente, Alexa acrescenta o pronome barrado à frase: “Dodói, dodói, me ajuda!” 

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