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Convibra Conference - Transplante de Medula Óssea: Fantasias de Redenção e Cura
Transplante de Medula Óssea: Fantasias de Redenção e Cura

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Pandemia, perdas, luto

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AUTORIA

Cristiane Dos Santos Mendes Alves , Camila Popadiuk

ABSTRACT
O  presente trabalho aborda questões relativas ao adoecimento e sofrimento psíquico a partir da perspectiva da Psicanálise cuja prática se aplica a uma instituição hospitalar de nível terciário de atenção à saúde em Pediatria. 
Diante do tratamento de doenças onco-hematológicas potencialmente fatais, a equipe envolvida, os familiares e as crianças se deparam com a morte. 
Como é lidar com este destino? Qual é o lugar que o  psicanalista pode ocupar diante do paradoxo vida e morte?
A urgência da doença atravessa o tempo de compreensão e consequentemente, precipita ao ato, quase imediato, de concessão ao procedimento. O TMO é um tratamento de alta complexidade e risco.  Esta oferta de tratamento comporta um paradoxo e exige uma aposta cujo valor da vida se torna proporcional ao risco que se corre. 
Os pais se sentem impotentes, muito angustiados e divididos,  sobretudo no momento da  decisão de fazer ou não o tratamento. 
O potente trabalho de escuta do psicanalista, possibilita a criação de um véu . Um véu possível, que pretendo expor neste trabalho é a fantasia recorrente que aparece no discurso das mães. São as fantasias de  '' redenção e cura''. Duas vinhetas clínicas serão destacadas. Um menino de onze anos e menina de 6 anos . No primeiro caso a indicação do transplante aconteceu após  a descoberta diagnóstica. No segundo  caso, a indicação do  transplante foi feita como última chance de cura, após a criança ter sido passado por diversos tratamentos.
A fantasia ''de redenção e cura''  que muitas vezes se apresenta aos pais e / ou responsáveis  -no momento da indicação do TMO- corresponde a uma tentativa de encobrir, no inconsciente,  aquilo que é inevitável , isto é, a morte. Essa fantasia é, em geral, acompanhada pelo desejo de que a criança seja restituída integralmente ao seu estado anterior. Não basta a manutenção da vida, mas também que a criança pós TMO seja como a criança de antes. 
O trabalho de elaboração do luto faz-se assim , necessário,  afim  de dar a oportunidade aos envolvidos, de elaborar o luto daquela criança perdida que para todo o sempre não poderá  ser jamais encontrada. 
Trata-se , em suma, de uma trabalho de luto , mesmo quando a vida da criança segue o seu curso.  

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