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Convibra Conference - Mentiras na Infância: Criação, Luto e Negacionismo
Mentiras na Infância: Criação, Luto e Negacionismo

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Pandemia, perdas, luto

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AUTORIA

Adriana Barbosa Pereira , Beatriz Martinho Azevedo

ABSTRACT
Pretende-se fazer trabalhar as ideias de Radmila Zygouris sobre a mentira, a partir de seu texto “Minto, logo existo” (2002), recém traduzido e ainda não publicado, para a compreensão da mentira da criança no nosso tempo. O trabalho é fruto de um processo de supervisão entre Adriana Barbosa Pereira e Beatriz Martinho Azevedo, e de tradução da segunda, e se articulou a partir de um caso atendido por essa última no início da pandemia: uma pré-adolescente cuja família estava alarmada com suas “mentiras” (sic). A psicanalista francesa propõe uma perspectiva que retira a mentira de uma lógica moralizante, e permite abordá-la enquanto recurso psíquico que protege o sujeito frente a indocilidade do objeto e da realidade. 
Partindo de uma diferenciação essencial, Radmila nos auxilia a resgatar uma ética. Ética que se estende à clínica, mas não só. Tal distinção faz-se fundamental, pois distancia a mentira da criança, que fabula uma outra realidade imaginada, daquela do adulto. E sobretudo das distorções e negações de informação travestidas de notícias que vemos nas atuais fake news. Assim, entende-se que não é sem efeito quando a mentira é proferida por quem ocupa lugares de autoridade. No caso do negacionismo, promove-se a potencial abertura de uma ferida no tecido social, bem como no estatuto da lei e na possibilidade de um pacto compartilhado cujos efeitos ainda vamos recolher. 
Ainda, em um momento em que as fronteiras intrafamiliares ficaram tão desvanecidas, em tempos de isolamento e pandemia, é possível discutir quais as saídas que as crianças e jovens encontraram para fazer anteparo frente ao outro, assim como para processar suas perdas e o luto. Se de um lado encontramos a mentira, no verso da mesma moeda Radmila aponta que está situado o ato de criação e a capacidade de fantasiar uma outra realidade, habilidade ainda mais necessária em um cenário de contato com o horror e a morte, de pobreza de trocas simbólicas, e de restrição no convívio e no laço social, tais quais o da pandemia.





 

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