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Convibra Conference - Impasses e Elaboração Psíquica - Discussões em Torno de Um Caso Clínico
Impasses e Elaboração Psíquica - Discussões em Torno de Um Caso Clínico

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Corpo, dor, silêncio

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AUTORIA

Julia Eid

ABSTRACT
O psicanalista R. Roussillon nos apresenta uma formulação que empresta de A. Green acerca do trabalho analítico com um certo tipo de paciente que nos servirá de ponto de partida para este trabalho: 

“O clínico deve fornecer ao sujeito a resposta que deveria ter sido a de seus objetos de referência histórica. Dito de outro modo, há uma dialética estreita a estabelecer entre o que se produziu - ou não se produziu - historicamente na relação do sujeito com seu entorno significativo, e que contribuiu para o impasse atual, e as “repostas” que o clínico deve agora tentar trazer para ajudar o sujeito a sair de seu impasse” (Roussillon, 2012). 

Tal afirmação nos remete aos casos em que os modos de presença do analista tem especial importância no desenrolar de uma análise. O objetivo deste trabalho consiste em analisar um caso clínico com enfoque no processo de elaboração psíquica que entra em curso a partir do uso que a pequena paciente pode fazer do objeto-analista na relação transferencial. Daremos ênfase à elaboração psíquica que se dá a partir do agir, do ato: simbolização segundo o modelo do jogo (Roussillon, 2012).

Maria, com 3 anos, inicia sua análise por apresentar grande sofrimento decorrente de um controle esfincteriano excessivo, quadro que se instalou a partir de uma experiência traumática que não teve a chance de ser elaborada junto a seu entorno familiar. No trabalho com os pais da criança, evidenciou-se que na relação entre Maria e seus pais havia pouco espaço para o processamento dos aspectos dolorosos e angustiantes do viver humano; identificou-se uma pressa em desfazer-se muito rapidamente das experiências doloridas pelo temor de a filha aprisionar-se nelas. 

No desenrolar desta análise, observamos que o sofrimento e angústia vividos no corpo de Maria estavam em estreita relação com a impossibilidade de elaboração dos excessos traumáticos que atravessara sem poder contar com a presença de um outro disponível para acolhê-los e metabolizá-los junto a ela. Diante deste impasse, a experiência traumática ficou como que localizada no interior de seu corpo, levando Maria a uma vivência psíquica de extrema persecutoriedade, como se carregasse no seu corpo um objeto mau concreto, sentido através de penosas movimentações gastrointestinais, pontadas e cólicas que buscava desesperadamente controlar. 

No trabalho analítico, este objeto mau foi ganhando figurabilidade até que, a partir de uma intervenção da analista, o mau pôde ser exteriorizado na pessoa da analista. Com isso, a batalha que antes era travada dentro do corpo dessa pequena paciente foi deslocada para fora, para o corpo-a-corpo com a analista. Estando o mau localizado fora de seu corpo, Maria pode arregaçar as mangas para destruí-lo, exercitando sua agressividade e destrutividade – antes imobilizadas – nas suas facetas mais primitivas e sádicas, tendo como salvaguarda a sobrevivência da analista.

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