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Convibra Conference - Angústia e transferência: manifestações de oposição ao tratamento como defesa da angústia em caso clínico infantil
Angústia e transferência: manifestações de oposição ao tratamento como defesa da angústia em caso clínico infantil

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Corpo, dor, silêncio

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AUTORIA

Helena Amstalden Imanishi

ABSTRACT
Partindo de caso clínico de uma criança de 4 anos, busca-se neste trabalho articular os sintomas de angústia e agressividade aos desafios do trabalho do analista. Dois conceitos psicanalíticos nos servem de base: de um lado, a noção de ''Angst'' em psicanálise – traduzida por vezes como medo, ansiedade ou angústia – contribui no entendimento de comportamentos de oposição manifestados pela criança em questão na cena analítica: mutismo inicial, recusa em entrar sozinho na sessão ou encerramento abrupto e precoce da mesma, convocação frequente da presença dos pais, manifestações de agressividade de maneira simbólica ou direta no trabalho terapêutico. Em um de seus principais trabalhos sobre o tema – “Inibição, sintoma e angústia” – Freud (1915) define angústia como reação a uma situação de perigo. Sintomas são criados a fim de se evitar estas situações. Na sequência, o autor explica que situações de perigo são aquelas que envolvem a perda de objeto, a falta de algo amado e, mais especificamente, a insatisfação derivada de crescente tensão devida à necessidade. No início da vida, a perda da mãe e o desamparo frente a um mundo que pouco a criança pode controlar, e da qual se sente impotente, seriam ameaças características do desenvolvimento infantil. As considerações freudianas permitem-nos refletir sobre como os comportamentos acima mencionados, que se apresentam sob a forma da recusa do laço com o outro, podem se originar da angústia frente à experiência imaginária de um mundo ameaçador e à própria agressividade. Também nos permite tecer hipóteses sobre a relação entre a angústia de separação e os comportamentos agressivos no caso clínico referenciado, tendo em vista que a perda da “mãe” como objeto deixa o sujeito entregue, não apenas aos perigos externos, mas às suas próprias tensões pulsionais. O segundo conceito psicanalítico que auxilia a dar forma às presentes elaborações é o de transferência, fundamental e operador da técnica psicanalítica. Noção que assumiu extensão muito grande, a transferência pode ser inicialmente definida como o processo pelo qual os desejos inconscientes se atualizam sobre determinados objetos, em determinado contexto relacional, particularmente no quadro da relação analítica (Laplanche & Pontalis, 1992). No texto “A dinâmica da transferência”, Freud (1912) teoriza como a transferência pode entrar a serviço da resistência. Porém, o que de início se constitui como obstáculo ao tratamento psicanalítico pode se converter em instrumento terapêutico importante. A concepção de transferência como resistência, aplicada neste trabalho ao contexto da terapia infantil e, mais especificamente, ao caso clínico mencionado, oferece subsídios para teorizarmos sobre as dificuldades do trabalho do analista quando ele encarna o objeto da angústia – o perigo do desamparo, a perda do objeto amado, as ameaças externas e a própria agressividade – do qual o sujeito busca se afastar.

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