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Convibra Conference - Mãe não é robô, bebê não é planilha: a destituição do saber materno pela virtualização
Mãe não é robô, bebê não é planilha: a destituição do saber materno pela virtualização

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Corpo, dor, silêncio

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AUTORIA

Patrícia Leekninh Paione Grinfeld , Julieta Jerusalinsky , Maribel De Salles De Melo

ABSTRACT
Toda época apresenta um mal-estar inerente à cultura. Na atualidade, a virtualização é um deles. Não limitada ao uso de telas, a virtualização inclui uma lógica que afeta o laço social. Essa lógica pode ser compreendida a partir do excesso de positividade, que define a sociedade do desempenho: pode-se tudo, e sem pausa. É a sociedade da totalidade e do ininterrupto, mas também do ilimitado, da previsibilidade e da eficiência, na qual a informação retira de cena a narrativa, assolando o saber de tal modo que quem passa a “saber” sobre um bebê não são mais seus cuidadores primordiais, agentes das funções parentais, mas os produtores e portadores de conteúdo – Google, Siri, Alexa, youtubers, influencers, aplicativos, especialistas, entre outros. Além de mitigar a complexidade das relações, tentar ensinar ou aconselhar a mãe a cuidar de seu bebê é, conforme já alertava Winnicott ([1987]2012) na década de 1960, pisar em solo perigoso: “nem a mãe, nem o bebê, precisam de conselhos. Em vez de conselhos eles precisam de recursos ambientais que estimulem a confiança da mãe em si própria” (p.22). Em outras palavras, precisam que a mãe seja apoiada no exercício da função materna para que os cuidados que ela “dirige ao bebê estejam permeados por uma série de operações psíquicas que implicam sua economia de gozo e sua transmissão inconsciente de um saber” (JERUSALINSKY, J. [2011]2014, p.14), de modo a não ocorrer um apagamento subjetivo, nem nela, nem no bebê. 
Com base nesse cenário, este trabalho apresenta uma reflexão, apoiada em exemplos de situações de cuidados com os bebês e recortes clínicos, sobre a destituição do saber materno pela virtualização e algumas consequências para a sustentação da função materna e o desenvolvimento infantil. 
Conclui-se que para o saber materno comparecer nas relações de cuidado com seu valor subjetivante, é preciso que a mãe seja apoiada no exercício das funções parentais. Em vista disso, numa sociedade regida pela lógica da virtualização, torna-se urgente a criação de espaços que questionem as informações-toda e suportem as dúvidas e angústias que surgem na relação com o bebê para que os interrogantes não sejam suprimidos por respostas imediatistas, despersonalizadas e absolutas, e para que se mantenha a diferença entre conhecimentos técnicos e a construção de um saber implicado e subjetivado.


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