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Convibra Conference - O professor como sujeito e o sonho de uma escola para todos e todas
O professor como sujeito e o sonho de uma escola para todos e todas

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Mal-estar contemporâneo e impasses na educação

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AUTORIA

Jonas Tabacof Waks

ABSTRACT
Neste trabalho proponho uma análise da minha experiência como professor de filosofia na rede pública estadual paulista, a partir dos referenciais do campo dos estudos psicanalíticos em educação. Como professor, vivi a implementação de um programa que distribuiu às escolas apostilas com o planejamento e o modo pelo qual todas as aulas deveriam ser ministradas. Longe de ser um caso isolado, a adoção desse tipo de material e de sistemas apostilados é um fenômeno crescente na educação brasileira. A hipótese deste trabalho é que esses materiais estão ancorados no que Lajonquière denomina “ilusão (psico)pedagógica”, à medida que concebem a educação como um sistema fechado, informado na lógica causal. Planos de aula, materiais e avaliações são padronizados visando “garantir” que os resultados esperados sejam alcançados, reduzindo as “variáveis de erro”. Trata-se de uma tentativa de apagar as marcas de enunciação dos sujeitos, o que recalca o fato da impossibilidade da relação e não reconhece o “encontro desencontrado” que permeia o laço educativo e todas as relações no interior do campo da palavra. Nesse sentido, a procura de realizar o fantasma do “sem resto” retira eficácia simbólica da palavra educativa e o tiro sai pela culatra: trata-se de uma renúncia à educação. Desenvolvidos por “especialistas” e supostamente baseados em “evidências”, esses materiais atribuem aos professores um lugar de meros aplicadores de orientações e apostilas; são como peças de uma engrenagem, em vez de sujeitos de experiência. É a demissão do adulto da posição de educador - e reside justamente aí, em sua posição de saber, uma das chaves de compreensão do denominado mal-estar docente. Aqueles que sonham com uma escola para todos entendem a necessidade de possibilitar a todas as crianças, sem distinção alguma, o acesso ao legado cultural da humanidade. Isto exige o reconhecimento da dignidade da palavra adulta na escola, o que vai na contramão de programas e materiais como os analisados. 

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