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Convibra Conference - Considerações Acerca dos Efeitos de Segregação no Espaço Escolar
Considerações Acerca dos Efeitos de Segregação no Espaço Escolar

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Mal-estar contemporâneo e impasses na educação

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AUTORIA

Fábio Henrique Silva

ABSTRACT
O trabalho se refere a uma pesquisa de doutorado, em andamento, cujo objetivo é verificar os efeitos de segregação no espaço escolar e investigar se os dispositivos de fala se configuram como modos de fazer frente à segregação. Partimos da noção de segregação como um efeito da aliança entre o discurso científico e o mercado (Lacan, 1967/2003). No texto Proposição de 9 de outubro sobre o psicanalista da Escola (1967/2003), Lacan acentua a problemática da segregação ao asseverar: “nosso futuro de mercados comuns encontrará seu equilíbrio numa ampliação cada vez mais dura dos processos de segregação” (p. 263). Em O Avesso da Psicanálise (1968-69/2008), Lacan afirma que o capitalismo introduz o poder liberal e a universalização assume a forma de uma imposição de modos de gozo comuns a todos, suprimindo as diferenças. O discurso do capitalismo radicaliza a supressão da subjetividade e não promove laço social, já que a relação que se estabelece é entre o sujeito ordenado pela falta de gozo e o objeto de consumo, o gadget. As segregações se ampliam na medida em que o rechaço às diferenças atinge todos os campos sociais. Há uma prevalência do discurso do capitalismo, que penetra nas escolas e estas passam a produzir, classificar, separar, dividir e aperfeiçoar os “bons” capitais humanos expurgando os “maus” (Almeida, 2017). Testemunhamos, em nossa prática com adolescentes em um equipamento público da política de Assistência Social, a experiência de segregação presente na política de educação. A abertura de um espaço para a palavra, deu lugar a narrativas de violência sofridas ou testemunhadas pelos adolescentes dentro do ambiente escolar, tecendo-se o discurso da segregação engendrado no interior da instituição educacional. Como efeito dessa oferta da escuta, os adolescentes separaram-se das nomeações feitas pelas escolas, que os fixavam em identificações alienantes. Apostamos na oferta da escuta como uma forma de resistência ao imperativo universal que suprime o singular.

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