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Convibra Conference - Lugar de Vida em tempos de pandemia: a continuidade das invenções e a sustentação de dispositivos remotos para a promoção do laço social
Lugar de Vida em tempos de pandemia: a continuidade das invenções e a sustentação de dispositivos remotos para a promoção do laço social

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Infância, juventude e clínica

Temas Correlatos: Infância, juventude e clínica;

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AUTORIA

Maria Eugênia Pesaro , Mariana Trenche De Oliveira

ABSTRACT
Com a pandemia do COVID-19, o Lugar de Vida precisou repensar e transformar a prática-clínica realizada até março de 2020, uma vez que os dispositivos grupais, considerados fundamentais para o tratamento de crianças com dificuldades importantes no estabelecimento de laços sociais foram, repentinamente, transformados em atendimentos remotos. Um princípio norteador da prática de atendimento em grupo é a noção de que o encontro entre crianças diferentes entre si abre espaço para que ocorram efeitos subjetivos entre e para elas, é o trabalho em torno da função do semelhante para a constituição psíquica. As situações clínicas na pandemia nos ajudaram a tecer algumas considerações acerca dos efeitos terapêuticos dos atendimentos remotos e sustentá-los como dispositivos subjetivantes e de promoção do laço social. A primeira delas é que a tela pode cumprir a função defensiva para a criança: estando o Outro (Lacan, 1964/1985) um pouco mais sob controle, enquadrado, a criança pode sentir-se menos invadida por ele. Outra constatação é que a tela pode ser um auxiliar para a criança na construção de bordas e, também pode operar como uma proteção para a emergência angustiante do objeto voz. Constatamos ainda que os efeitos dos grupos heterogêneos remotos podem ser pensados à luz do estatuto do espelho para as crianças com entraves estruturais: ao encontrar na tela, ao mesmo tempo, a sua imagem e a dos seus pares, a criança pode fazer uso do pareamento das imagens e do espelhamento com fins de construir sua própria imagem. É neste sentido que presenciamos o uso das telas pelas crianças nos atendimentos remotos como protetoras, mediadoras ou como anteparos no laço com os outros, terapeutas e pares. Pode-se dizer que as plataformas de comunicação foram ferramentas, nesse contexto, para a persistência de um trabalho que tem como prioridade a oferta de um lugar social para o sujeito, seja qual for a particularidade de sua constituição e de sua forma de estar no laço. 

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