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Convibra Conference - CENTROS ESPECIALIZADOS PARA AUTISTAS: QUESTÕES PARA O LAÇO SOCIAL
CENTROS ESPECIALIZADOS PARA AUTISTAS: QUESTÕES PARA O LAÇO SOCIAL

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Infância e políticas públicas

Temas Correlatos: Mal-estar contemporâneo e impasses na educação;

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AUTORIA

Leticia Vier Machado , Adriana Marcondes Machado , Leandro De Lajonquière

ABSTRACT
O reconhecimento do autismo como deficiência transformou a pergunta sobre o que é preciso fazer com os autistas para o que seria melhor para eles. No Brasil, produziu como demanda a criação de centros especializados. Partimos da hipótese de que as demandas por centros especializados fazem par com outras políticas recentes para a infância, como a tentativa de estabelecer a educação especial como diretriz constitucional e atribuir às famílias o poder de decisão sobre os serviços e recursos do atendimento educacional especializado ou a defesa do ensino domiciliar. Situação que tem reproduzido a institucionalização e segregação de crianças com deficiência. Há o argumento de que, nos centros especializados, há profissionais e serviços que podem diagnosticar e tratar autistas por meio de uma intervenção precoce, aproveitando a janela de oportunidades do desenvolvimento. O serviço único é entendido como uma opção pragmática, driblando dificuldades de acesso e de mobilidade entre serviços. Em uma cidade do interior do Paraná, ao menos quatro clínicas especializadas em autismo foram inauguradas em 2020. Um ano após, vê-se o incremento das filas para o atendimento e da demanda pela produção de diagnóstico para acesso ao dispositivo. Pretendemos colocar em questão as experiências de circulação na cidade que estas propostas fomentam, quando centralizam práticas de cuidado na instituição e situam o diagnóstico no cerne das práticas. Na esteira da temática do Congresso, argumentamos que o diagnóstico como critério de inclusão caminha no sentido de uma lógica individualizante do cuidado, além de afastar crianças concretas, irredutíveis a uma nomenclatura. O cuidado é exercido desde uma perspectiva tutelar, que determina parâmetros de uma normalidade que baliza formas de agir e estar no laço. Na tentativa de criar um lugar que lhes seja próprio, corremos o risco de lançá-las para fora do laço social.

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