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Convibra Conference - Integração ensino-serviço para realização de educação permanente em ações de controle da hanseníase
Integração ensino-serviço para realização de educação permanente em ações de controle da hanseníase

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Educação, formação e treinamento em saúde

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AUTORIA

Rayssa Nogueira Rodrigues , Fernanda Moura Lanza , Joseane Da Silva , Michelle Pereira Braz , Inês Alcione Guimarães

ABSTRACT
Introdução: A hanseni?ase persiste como problema de sau?de pu?blica no Brasil, que e? o segundo pai?s no mundo em nu?mero de casos (WHO, 2019). Dentro do país o quadro é ainda mais diversificado, onde são encontradas áreas que concentram maior endemicidade (RODRIGUES et al., 2020). Particularmente em relação a Minas Gerais, estudo recente, apontou a presença de clusters no estado (RODRIGUES et al., 2020) e a tendência da manutenção da endemia por não haver redução significativa de indicadores de vigilância importantes, como a proporção de casos com grau 2 de incapacidade física no momento do diagnóstico (KARINE; BUENO; LANA, 2019). Além disso, o estado apresenta municípios silenciosos, os quais não notificam nenhum caso da doença, mesmo estando inserido em região endêmica (RODRIGUES et al., 2020). A principal estratégia para reverter esse quadro consiste na organização de uma rede de atenção com a descentralização das ações de controle da hanseníase para a Atenção Primária à Saúde (LANZA; LANA, 2011). A descentralização oferece melhor acesso ao diagnóstico e ao tratamento, porque facilita a realização do exame de contatos, a dispensação das medicações e o acompanhamento da evolução clínica dos pacientes (BELDARRAI?N-CHAPLE, 2017). No entanto, a rotatividade e a falta de confiança em diagnosticar e/ou iniciar o tratamento pelos profissionais de saúde comprometem a sustentabilidade das ações. Nesse sentido, a educac?a?o em sau?de dos profissionais e? um dos pilares para a implementac?a?o das diretrizes de prevenc?a?o e controle da hanseníase (BRASIL, 2016). Considerando que a hanseníase ainda é um desafio em saúde pública no estado de Minas Gerais e que as ações de controle são prerrogativas fundamentais da Atenção Primária à Saúde, este estudo visou relatar a experie?ncia no desenvolvimento de capacitac?o?es em ac?o?es de controle de hanseni?ase para profissionais da Atenção Primária à Saúde. Métodos: Trata-se de um relato de experie?ncia acerca de capacitac?o?es desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Sau?de de Divino?polis em parceria com a Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ) e a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). As atividades foram conduzidas por três enfermeiras com expertise na temática. O pu?blico alvo foi composto por enfermeiros e me?dicos da Atenção Primária à Saúde, ale?m de profissionais de ni?vel superior de servic?os de outros pontos da rede de atenc?a?o de Divinópolis, Minas Gerais. As capacitac?o?es ocorreram entre os meses de outubro e novembro de 2019, com carga hora?ria total de doze horas, subdivida em oito horas de aula teo?rica expositiva-dialogada e quatro horas de aula pra?tica. Nas atividades práticas, os participantes vivenciaram situações de assistência clínica por meio de estudos de casos. O exame dermatoneurológico foi realizado uns nos outros contando com os equipamentos/materiais necessários. Os conteúdos abordados foram: diagnóstico e tratamento da hanseníase; avaliação e monitoramento da função neural; reações hansênicas; prevenção, reabilitação e autocuidado; organização do serviço. Foram capacitados 90 profissionais, sendo 35 (trinta e cinco) me?dicos e 45 (quarenta e cinco) enfermeiros. Resultados e Discussão: A partir destas capacitac?o?es, observou-se o empenho das equipes para a realizac?a?o de educac?a?o em sau?de sobre hanseni?ase; houve aumento na identificac?a?o de sintoma?ticos dermatolo?gicos e foram diagnosticados quatro casos novos no munici?pio. Entende-se que esta ação permitiu a sensibilização dos profissionais envolvidos, mas não garante a sustentabilidade das ações. Nesse sentido, além de estimular as habilidades e as discussões durante a capacitação, os proponentes da ação manifestaram disponibilidade em oferecer suporte técnico aos profissionais, a fim de reduzir a dependência com à atenção vertical. A presença de consultorias, além de minimizar a necessidade de encaminhamentos de curta duração aos serviços de atenção secundárias, são uma estratégia de educação continuada (LANZA, 2014). Ainda, é válido ressaltar que os profissionais da atenção primária de Divinópolis contam com a colaboração de uma referência técnica que atua na supervisão das ações de controle, sendo também uma estratégia de coordenação do cuidado ao usuário com hanseníase. Apesar dos aspectos positivos alcançados com a realização da capacitação, houveram profissionais de saúde que mantiveram a visa?o antiga de que o controle da hanseníase e? de responsabilidade de centros especializados e na?o da Atenc?a?o Primária à Saúde. E? importante reconhecer que para a hanseni?ase, os servic?os de refere?ncia da atenc?a?o secunda?ria (e tercia?ria) sa?o responsa?veis em conduzir os casos da doenc?a que requerem habilidades e compete?ncias que na?o sa?o esperadas em equipes de Atenção Primária à Saúde  (PENNA; GROSSI; PENNA, 2013), como na presenc?a de intercorre?ncias cli?nicas, reac?o?es adversas ao tratamento, reac?o?es hanse?nicas, recidivas e necessidade de reabilitac?a?o ciru?rgica, ale?m de realizar atendimentos profissionais do primeiro ni?vel de atenc?a?o quando estes apresentarem du?vidas  (BRASIL, 2010). Outro ponto a se destacar é que o tempo de tratamento da doenc?a e? longo e ha? a necessidade de o paciente comparecer a? unidade a cada 28 dias para o recebimento da dose supervisionada. Esse fato reforça a necessidade da descentralização, uma vez que obstáculos geográficos já foram assinalados como importantes entraves para o controle da hanseníase (LANZA, 2009). A Atenção Primária à Saúde está inserida o mais pro?ximo possi?vel do local onde as pessoas vivem e trabalham. Por isso, a reorganização da rede de atenc?a?o a? sau?de, definindo as compete?ncias de cada ponto e a capacitac?a?o permanente de profissionais da Atenção Primária à Saúde apresentam-se como grandes desafios do Sistema Único de Saúde (SUS). Inclusive, estudo recente apontou que a cobertura da Atenção Primária à Saúde deve ser vista como medida importante, pore?m na?o u?nica. A condição identificada como essencial para atingir os parâmetros do Ministério da Saúde é o aumento da oferta das ações pelos profissionais de saúde (RODRIGUES MACHADO, 2019). Conclusão: Conclui-se que a educac?a?o permanente, por meio de treinamentos regulares, e? capaz de mobilizar e preparar os profissionais de sau?de para a realizac?a?o das ac?o?es de prevenc?a?o e controle da hanseni?ase neste ponto de atenc?a?o. Considera-se que essa capacitação contribuiu para o desenvolvimento de equipes confiantes em diagnosticar e iniciar o tratamento, além de favorecer a sensibilização quanto a importância de priorizar a hanseníase no elenco das ações ofertadas no serviço. Por fim, essa inciativa possibilitou a ampliac?a?o da parceria entre as instituic?o?es envolvidas, além de reforçar o compromisso social das universidades, focando em iniciativas e estudos voltados para o atendimento das demandas das populações.
Palavras-chave: Hanseni?ase. Atenc?a?o Prima?ria a? Sau?de. Educac?a?o Permanente. 


Refere?ncias: 
BELDARRAI?N-CHAPLE, E. Historical overview of leprosy control in Cuba. MEDICC Review, Decatur, v. 19, n. 1, p. 23-30, 2017. 
BRASIL. Ministe?rio da Sau?de. Secretaria de Vigila?ncia em Sau?de. Departamento de Vigila?ncia das Doenc?as Transmissi?veis. Diretrizes para vigila?ncia, atenc?a?o e eliminac?a?o da hanseni?ase como problema de sau?de pu?blica: manual te?cnico-operacional. Brasi?lia, DF: Ministe?rio da Sau?de, 2016. 
BRASIL. Ministe?rio da Sau?de. Portaria no 3.125, de 7 de outubro de 2010. Aprova as Diretrizes para Vigila?ncia, Atenc?a?o e Controle da hanseni?ase. Brasi?lia, 2010. 
LANZA, F. M. Avaliac?a?o da atenc?a?o prima?ria no controle da hanseni?ase: validac?a?o de instrumentos e ana?lise do desempenho de munici?pios ende?micos do Estado de Minas Gerais. 2014. 310 f. Tese (Doutorado em Enfermagem) - Escola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2014. 
LANZA, F. M. Tecnologia do processo de trabalho em hanseni?ase: ana?lise das ac?o?es de controle na microrregia?o de Almenara, Minas Gerais. 2009. 209 f. Dissertac?a?o (Mestrado em Enfermagem) - Escola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2009. 
PENNA, M. L. F.; GROSSI, M. A. F.; PENNA, G. O. Country profile: leprosy in Brazil. Leprosy Review, London, v. 84, n. 4, p. 308-315, 2013. 
PEREIRA, K. C.; BUENO, I. C.; LANA, F. C. F. Tende?ncia epidemiolo?gica da hanseni?ase em Minas Gerais (1995-2015). Cogitare Enfermagem, n. 4, p. e66109, 2019. 
RODRIGUES, R. N.; LEANO, H. A. M.; BUENO I. C.; ARAU?JO, K. M. F. A.; LANA, F. C. F. A?reas de alto risco de hanseni?ase no Brasil, peri?odo 2001-2015. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasi?lia, DF, v. 72, 2020. 
RODRIGUES MACHADO, R. N. Descentralizac?a?o das ac?o?es de controle da hanseni?ase nos clusters de risco do Brasil. 2019. 93 f. Tese (Doutorado em Enfermagem) – Escola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. 2019. 
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global leprosy update, 2018: moving towards a leprosy- free world. Weekly Epidemiological Record, Geneva, v. 94, n. 35-36, p. 389-412, 2019.

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COMENTÁRIOS
Foto do Usuário Maíra Moreira Peixoto Coelho 09-02-2021 12:50:35

Temática interessante e de relevância para a saúde coletiva; Sugiro incluir o tópico ''objetivo'' no resumo para dar destaque ao mesmo e incluir referências mais atualizadas sobre a temática proposta. Parabéns aos autores pelo trabalho e escolha do tema!

Trabalho com boa escrita, objetivos claros para o que se propõe

Foto do Usuário Daiana Kloh Khalaf 09-02-2021 12:50:35

Deixar claro qual o objetivo do trabalho. Parabenizo pela temática, de extrema relevância.

Foto do Usuário Miguel De Araújo Vilela 09-02-2021 12:50:35

Importante a abordagem do tema de forma fácil para a leitura, parabéns.