DESAFIOS DA ASSISTÊNCIA PSICOLÓGICA NA FASE DE RESPOSTA AO DESASTRE TECNOLÓGICO EM BRUMADINHO (MINAS GERAIS / BRASIL)

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Gestão de serviços de saúde

Temas Correlatos: Gestão de serviços de saúde;

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AUTORIA

Ariel Denise Pontes Afonso , Alexandre Barbosa De Oliveira

ABSTRACT
A atuação do psicólogo nas situações de emergências e desastres precisa ser estrategicamente abordada nos campos acadêmico, profissional e social, uma vez que, na contemporaneidade, a frequência e magnitude de tais eventos vêm aumentando e exigindo novas e arrojadas formas de enfrentamento e de redução de riscos. Nessas situações, as intervenções psicológicas assumem papel crucial para suporte aos indivíduos, famílias e comunidades atingidas. Caso exemplar aconteceu no município de Brumadinho, quando da ocorrência do desastre tecnológico de rompimento da barragem de rejeitos de mineração da empresa Vale®, ocasião em que vários profissionais da área da Psicologia foram mobilizados. Toledo et al. (2015) ressaltam que o trabalho em emergências e desastres é intrinsecamente estressante em função das condições fisicamente exigentes. Tais aspectos ressaltam alguns dos desafios enfrentados por profissionais desta área diante da resposta às emergências e desastres, o que deve ser alvo de reflexões e estudos voltados à construção de políticas públicas de proteção integral à saúde mental, prevenção de riscos e controle de danos. Nessa perspectiva, o presente estudo teve como objetivo descrever e analisar os desafios enfrentados por esses profissionais durante a fase de resposta do desastre tecnológico da empresa Vale®. Metodologia: estudo de abordagem qualitativa, de caráter exploratório. A coleta de dados se deu por meio de entrevistas semiestruturadas com 22 psicólogos, que atuaram ativamente no referido evento. A análise estatística do corpus textual foi desenvolvida por meio do software Iramuteq. O estudo foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa da EEAN/UFRJ. Resultados: o corpus geral foi constituído por 22 textos separados em 3.356 segmentos de texto (ST), com aproveitamento de 3,356 ST (96,69%). O conteúdo análise foi categorizado em quatro classes: Classe 1 denominada de “O dia do desastre e a saúde emocional”, com 12,7% (413 STs). A Classe 2, os “Desafios enfrentados e de autocuidado” contou com 34,5% (1120 ST). Já a Classe 3, “Intervenções da assistência psicossocial no desastre e sua práxis) teve 24,5% (794 ST). E a Classe 4, “A Psicologia diante do desastre” contou com 28,3% (918 ST). Para este estudo foi dado destaque à Classe 2 sobre desafios enfrentados e o processo de autocuidado à assistência psicológica. Assim, dentre os desafios expostos foram identificados a precária preparação dos voluntários, falta de preocupação ética, necessidade de uma melhor comunicação entre os agentes do desastre, e principalmente os desafios pessoais, como saber lidar com a dor do outro e acabar não se influenciando. Algumas estratégias de autocuidado para a lida desses desafios foram trazidas na discursividade dos participantes, que apontaram o cuidado entre as equipes, grupos e pares, momentos e ações de descompressão, como sono minimamente regular, consumo de água, tempo para suas refeições e contato com a familiares. Conclusão: os desafios configuraram-se como individuais, pessoais, únicos, singulares, mas também inúmeros e diversos. Há que se investir em ações de gestão de risco que prevejam melhores práticas, especialmente voltadas à formação de recursos humanos e de comunicação. Com efeito, os modos de intervenção, a seleção das práticas a serem aplicadas, as dificuldades em lidar com a dor das pessoas atingidas, e o acesso aos recursos estratégicos para esse enfrentamento são todos relevantes aspectos a considerar. Isso implica em pensar em ações antes mesmo de um  desastre dessa natureza acontecer. As compreensões dessas lições aprendidas devem servir de referência para melhorarmos o padrão de resposta a emergências e desastres na contemporaneidade.

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