Aspectos Relevantes Sobre A Presença De Micotoxinas Na Silagem De Milho

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Ciências animais / Zootecnia

Temas Correlatos: Medicina Veterinária;

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AUTORIA

Marcos Antonio Garlini , Thaís Maria Leichtweis , Rosane Marconde Evangelista , Joao Batista Hartmann , Rodrigo Cesar Dos Reis Tinini

ABSTRACT
O volumoso é a base de alimentação de bovinos leiteiros, o processo de conservação de forragens pelo método da ensilagem é uma técnica muita efetiva em todas regiões do mundo. Um dos alimentos mais comuns no processo de silagem é o milho, pois possui maior aproveitamento de grãos e folhagem e boas características para o processo fermentativo.
O objetivo deste resumo foi analisar e classificar os principais microrganismos presentes na silagem de milho relacionados ao processo de ensilagem e os prejuízos causados na produção, com base em revisão de artigos da área.
As micotoxinas são um grupo de compostos produzidos por algumas espécies fúngicas e que em seu desenvolvimento, podem provocar a morte de animais e também de humanos.
Como a silagem é um alimento que é fornecido principalmente aos bovinos, devido à produção leiteira, o cuidado na vedação da mesma é crucial, pois as micotoxinas podem ser ingeridas, inaladas e absorvidas pela derme, afetando diretamente os sistemas reprodutores, motores e digestório dos animais.
O milho é um produto utilizado em todo o mundo, e serve como base na alimentação animal e humana. Por se tratar de um alimento, o milho pode estar suscetível a contaminação por micotoxinas O ponto ideal de corte do milho para a silagem é quando a planta atinge aproximadamente 35% de matéria seca.
Devido à alta presença de umidade, são necessários muitos cuidados nas diferentes etapas de produção para evitar a proliferação de micotoxinas, principalmente na colheita e no transporte, sendo que as condições de armazenagem correspondem ao principal fator de aparecimento de micotoxinas, isto porque as altas temperaturas de fermentação, umidade, má vedação das entradas de ar propiciam o crescimento destes microrganismos.
A detecção das micotoxinas também têm papel fundamental nesse meio, pois pode-se encontrar o tratamento mais eficiente no controle destas, aumentando a qualidade do alimento e causando menos danos à saúde dos animais.
A silagem de milho pode conter micotoxinas como aflatoxinas, tricotecenos, ocratoxina A, fumonisinas, zearalenona e diversos outros metabólitos secundários de origem fúngica. A intoxicação alimentar é o principal problema desencadeado mesmo em pequenas porções contaminadas, pois alteram a microbiota intestinal podendo levar o animal a morte. Quando ingeridas pelos animais, os produtos derivados, como o leite, também podem estar contaminados. Muitas vezes o tratamento térmico e processamento industrial podem eliminar os fungos existentes, mas não pode eliminar as toxinas dos alimentos.
A zearalenona é uma micotoxina pertencente ao fungo Fusarium e que afeta diretamente o sistema reprodutivo dos animais, principalmente dos bovinos, provocando anestros, abortos e mortalidade neonatal. A fumonisina também é uma micotoxina pertencente ao fungo Fusarium e afeta e provoca diarreias, atrofias musculares, inanição, encefalopatias e necroses hepáticas. A desoxinivalenol também do fungo Fusarium, conhecida como vomitoxina, provocando perda na produção, gordura do leite, alterações metabólicas e imunossupressoras.A aflatoxina, provinda do gênero Aspergillus, tem alta taxa de toxidade e resulta na contaminação de produtos lácteos e pode provocar câncer fígado. Outro fato preocupante sobre as aflatoxinas é de que não são destruídas no processo de pasteurização, fazendo que as fiscalizações das indústrias alimentícias sejam mais rigorosas.
De acordo com análises em silagens de diferentes variedades de milho convencional e transgênico, foram observados os fungos Zygomycetos sp, Aspergillus sp, Penicillium sp e Fusarium sp., detectados em 3 profundidades: ínicio, meio e fim do silo. Dentre eles, os Zygomycetos sp foram os gêneros que mais apareceram nas amostras, com cerca de 30% de
presença. Logo em seguida o gênero Aspergillus com 20%, produzindo as aflatoxinas que aparecem devido ao mau armazenamento, podendo afetar a produção do gado leiteiro ao serem ingeridas.
O rúmen dos bovinos causa alterações na estruturam da maioria das micotoxinas consumidas, isto muitas vezes reduz a toxidez deste composto para o animal. Porém as micotoxinas na sua grande maioria apresentam efeito antimicrobiano e isto pode causar efeitos negativos, estas toxinas quando metabolizadas no organismo animal são capazes de promover a contaminação do leite, reduzir ganho de peso animal e causar lesões hepáticas.
Já as toxinas de campo como fumonisinas e zearalenona derivadas de Fusarium, são responsáveis por desencadear problemas celulares, bioquímicos e causar problemas de fertilidade, respectivamente. Em comparação, Fusarium e Penicillium tiveram menor presença nas amostras que as demais classes. Verificou-se que a união de vários tipos de micotoxinas têm maior poder de dano do que apenas uma isolada e que uma classe de fungo é capaz de produzir mais de um tipo de micotoxina.
As micotoxinas afetam o sistema reprodutivo, digestório e renal. Com isso, fica evidente que um dos sintomas mais comuns relacionados às micotoxinas, é a repetição de cio, aumentando o intervalo entre partos, e a diminuição da produção será reduzida e o custo com os animais afetados ficará maior, além de realizar o tratamento para controle das micotoxinas nos animais.
Com isso, o cuidado ao se produzir uma silagem de boa qualidade, se deve ao fato de obter a melhor escolha do silo, correta armazenagem da silagem e eliminar o oxigênio em excesso ali presente no ato de vedar o silo. Desse modo, a qualidade da silagem não sofre alterações por fungos indesejáveis, não propiciando o surgimento de micotoxinas.
A má compactação da forragem é outro ponto a ser destacado, pois com a eliminação do oxigênio, elimina-se também, em grande maioria dos fungos que prejudicam a qualidade da silagem. Deste modo, métodos de compactação e ensilagem devem ser realizados de maneira adequada e rígida, para que não ocorra o desenvolvimento de micotoxinas, não prejudicando as propriedades nutricionais da forragem, e a tornando um material de excelente qualidade.
Ainda para reduzir as chances de micotoxinas podem ser utilizados aditivos, que além de reduzir perdas, podem deixar o alimento mais nutritivo e palatável, aumentando o ganho de peso de animais e melhorando a qualidade do leite.

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COMENTÁRIOS
Foto do Usuário Tchimanda Simeão Imbo Ndjamba 22-04-2021 07:19:31

É um artigo de revisão bibliográfica bem elaborado, entretanto me faz algum ruído a forma como foi apresentado a bibliografia. No texto não se fez menção de nenhuma bibliografia. Para poder evitar a presença de micotoxinas que tipo de conservantes se poderia usar, uma vez o texto faz menção, mas não detalha o tipo de conservantes.

Foto do Usuário Andressa Da Silva Alves 07-05-2021 14:52:42

Gostaria de parabeniza-los pelo trabalho, que foi objetivo e de fácil leitura. Gostaria de perguntar como foi realizada a análise das amostras e também o local/laboratório. Minha sugestão seria ter explicitado esses pontos no resumo. No mais, parabéns mais uma vez!!

O tema é muito relevante, e a leitura esta fácil e objetiva. Mas senti falta das referencias nesse resumo.