ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NO ENFRENTAMENTO DA PANDEMIA DA COVID-19

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Modelo de Atenção Básica em Saúde

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AUTORIA

Fernanda Esmério Pimentel , Claudiomiro Da Silva Alonso , Beatriz Francisco Farah

ABSTRACT
Introdução 

No primeiro trimestre de 2020 a Organização Mundial de Saúde anunciou ao mundo a situação pandêmica causada pelo novo coronavírus (SARS-COV-2). A doença causada por este vírus a COVID-19, apresenta alto potencial de transmissibilidade e letalidade. Os sintomas iniciais da doença são semelhantes aos de uma gripe, como febre, tosse, dor de garganta e coriza, os quais podem evoluir para um estado crítico devido à insuficiência respiratória, coagulação intravascular disseminada, choque circulatório ou disfunção orgânica múltipla, o que resulta na necessidade de cuidados intensivos (DAUMAS et al., 2020). 
Deste modo, o sistema de saúde se responsabiliza pela assistência à COVID-19, e para isso precisa atender as necessidades dos pacientes, desde as mais simples às mais complexas. Sendo assim, a APS se responsabiliza por orientar a população quanto às formas de prevenção da doença, pelo monitoramento de casos leves em isolamento domiciliar, com orientações para o manejo de sintomas e para a identificação precoce de sinais de alerta (DAUMAS et al., 2020).  
Neste intento, verifica-se que o sistema de saúde brasileiro se encontra ancorado na extensa rede de Atenção Primária à Saúde (APS), mas sabe-se que este nível de atenção é permeado por problemas recorrentes que envolvem financiamento, gestão, insuficiência de profissionais e estruturação dos serviços. Porém, mesmo diante destes desafios a APS ainda atinge resultados benéficos em saúde. Desse modo, deve-se considerá-la um importante pilar frente a situações emergenciais como a da COVID-19 (SARTI et al., 2020). Assim, compreende-se a necessidade de discutir o papel da APS no enfrentamento a esta pandemia. 
Portanto, este estudo teve como objetivo sintetizar o papel da Atenção Primária à Saúde no enfrentamento da COVID-19. 

Palavras Chave: Covid; Atenção Primária a Saúde; Pandemia; Saúde pública 

Método 

Trata-se de um estudo de revisão narrativa da literatura. Esse tipo de revisão envolve a descrição e discussão amplas do desenvolvimento ou “estado da arte” de um determinado assunto, sob o ponto de vista teórico ou contextual. Consiste em analisar a literatura publicada em livros, artigos de revistas impressas e ou eletrônicas, na interpretação e análise crítica pessoal do autor. Essa categoria de artigos permite ao leitor adquirir e atualizar o conhecimento sobre uma temática específica em curto espaço de tempo (SALLUM; GARCIA; SANCHES, 2012). A questão que norteou este estudo foi: Qual o papel da atenção básica frente a pandemia da COVID-19? 
Neste estudo, a literatura estabelecida foram artigos publicados nas bases de dados da Scielo (3), Medline (2) e Lilacs (2). Utilizou-se descritores padronizados pelos Descritores em Ciências da Saúde, a saber: Atenção Primária à Saúde, Covid; Pandemia e Saúde Pública. Para refinar a busca, os filtros selecionados foram artigos disponibilizados na integra e em português.
Os critérios de inclusão foram estudos sobre o papel da APS no enfrentamento da pandemia da COVID-19.  
  
O Papel da APS no enfrentamento da COVID-19 

A APS é considerada a ordenadora da saúde no Brasil, pois apresenta aptidão na prestação de cuidados em saúde de forma contínua, sistematizada e igualitária para responder às necessidades em saúde da população, atuando na promoção e proteção da saúde, na prevenção de agravos, no diagnóstico, no tratamento, na reabilitação, na redução de danos e na manutenção da saúde, proporcionando assim uma atenção integral. Sua atuação caminha lado a lado com a rede secundária e terciária de atenção à saúde (CABRAL et al., 2020; BRASIL, 2017).  
Para Sousa et al (2020) a APS foi destacada como um componente negligenciado do sistema de saúde público brasileiro, dado que, no contexto atual de pandemia as preocupações estão voltadas para o setor terciário de saúde. Todavia, existem justificativas que motivam o aprimoramento na APS, neste momento de enfrentamento à COVID-19, pois pode ser considerada uma alternativa eficaz na redução do número de internações indevidas, na detecção precoce das pessoas infectadas, diminuindo o contágio por meio das estratégias de educação em saúde, aliviando a sobrecarga de outros pontos do sistema de saúde.  
No entanto, considera-se a APS como um serviço fragilizado devido à falta de recursos nos últimos anos, com isso, tem apresentado dificuldades de responder as demandas em saúde da população brasileira. Porém, esse cenário histórico vivenciado pela pandemia da COVID-19 pode ser um fator importante para se resgatar a centralidade do Sistema Único de Saúde na política social e da APS (FACCHINI, 2020; SARTI et al., 2020).  
Compreende-se que a APS necessita receber maiores investimentos em tempos de pandemia como a da COVID-19, devido ao fato de seus profissionais conhecerem o seu território, possuírem maior acesso e vínculo com os usuários. Assim, podem atuar no monitoramento dos casos suspeitos e leves, sendo esta estratégia fundamental para contenção da pandemia e prevenção do agravamento das pessoas com COVID-19 (SOUSA et al., 2020; SARTI et al., 2020; CABRAL et al., 2020). 
Deste modo, é preciso que a APS assuma com urgência sua posição de ordenadora e protagonista do cuidado desenvolvido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ou seja, algumas medidas devem ser imediatamente implementadas, tais como: a reorganização dos fluxos de usuários nos serviços, melhorias nas estruturas físicas das unidades e melhor alocação de recursos para que assim consiga alcançar seus objetivos. Para isso, é sugerida a centralização deste nível de atenção na agenda do Ministério da Saúde e que o SUS não seja desmantelado por meio das emendas constitucionais que contingenciam os poucos recursos destinados ao setor pela União. Pois, o sucesso do enfrentamento à COVID-19, o futuro do SUS e a saúde dos brasileiros também dependem disso (SARTI et al., 2020).  
A atuação da APS em períodos de surtos e epidemias, apresenta papel substancial por oferecer atendimento resolutivo, colaborando na identificação precoce dos casos mais graves que devem ser tramitados com cautela (SOUSA et al., 2020; CABRAL et al., 2020). Compreende-se que para alcançar resultados satisfatórios no enfrentamento desta pandemia em território nacional torna-se evidente que haja fortalecimento da organização da APS, pois esta representa papel importantíssimo na organização e na coordenação do cuidado para o enfrentamento a COVID-19 no Brasil (HARZHEIM et al., 2020).  
Os boletins epidemiológicos do Brasil, retratam constantemente o crescimento acelerado da infecção e mortes causadas pela COVID-19. Diante deste cenário, além dos demais pontos da rede de assistência à saúde (RAS), as Unidades Básicas de Saúde (UBS), que corresponde ao nível primário de atenção à saúde tornam-se fundamentais para a contenção e disseminação deste vírus (BARBOSA; SILVA, 2020).  
Sabe-se que a APS não está apta para atuar no cuidado às pessoas acometidas pelos casos graves da doença causada pelo novo coronavírus. No entanto, quando a APS se apresenta fortalecida, organizada, com profissionais qualificados e em quantitativo suficientes, pode exercer papel substancial para contribuir com a redução da incidência da infecção entre a população na área adscrita da APS (DAUMAS et al., 2020). 
Isso se torna possível, por meio do desempenho dos profissionais da APS que atuam almejando a redução da disseminação da infecção. Nesta premissa, a APS deverá responsabilizar-se pelos pacientes infectados com quadro leve e que estejam em isolamento domiciliar. Além disso, devem identificar usuários em situações vulneráveis e garantir o acesso de todos que necessitem ao sistema de saúde. Dessa forma, a APS pode desempenhar papel de centralização na atenuação dos efeitos da pandemia, mantendo e aprofundando todos os seus atributos, tais como o acesso ao primeiro contato, a longitudinalidade, a integralidade e a coordenação do cuidado e, em especial, a competência cultural e a orientação familiar e comunitária (DAUMAS et al., 2020). 
Uma das contribuições da APS em tempos de pandemia da COVID-19, está associada a prestação de teleatendimento, nos quais os profissionais poderão orientar os pacientes em investigação para COVID-19 quanto ao isolamento e reconhecimento dos sinais de alerta; identificar pacientes que não podem ser cuidados no domicílio; monitorar estes casos suspeitos quanto à evolução clínica; realizar vídeo consultas para casos mais complexos e solicitar remoção para uma unidade hospitalar ao identificar sinais de agravamento (DAUMAS et al., 2020). 
Porém, reconhece-se que apesar de existir a possibilidade de teleatendimento no contexto atual, no âmbito da APS, esta não representa a realidade de toda a APS brasileira, pois a disponibilidade de computadores e de acesso à internet nas unidades da APS do país é baixa. Logo, a aquisição de instrumentos para o desenvolvimento deste trabalho, torna-se   essencial e urgente, uma vez que, será possível garantir melhor atendimento à população (CABRAL et al., 2020). 

Conclusões 

Essa revisão narrativa possibilitou sintetizar o papel da Atenção Primária à Saúde no enfrentamento da COVID-19. Compreendeu-se que a APS corresponde a um nível importante para se fazer saúde, em especial necessária para o cuidado e prevenção desta doença por meio de suas atribuições e ações. Pois, é o nível de saúde com maior proximidade da população adscrita e por isso, proporcionam identificação precoce dos casos mais graves que devem ser tramitados com cautela. No entanto, verificou-se que apesar de sua relevância para o sistema, ainda existe a necessidade deste nível estratégico se reestabelecer na rede de assistência à saúde, pois é notável a fragilidade de diversos recursos neste setor. Sugere-se que os gestores em saúde ampliem e invistam em recursos destinados a APS para que assim, esta possa fazer seu papel de ordenadora do cuidado em saúde do sistema de saúde pública brasileiro.

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COMENTÁRIOS
Foto do Usuário Xavéle Braatz Petermann 09-02-2021 12:50:35

É inquestionável o papel da atenção primária no enfrentamento da pandemia de COVID-19, sendo urgente o investimento nesse nível de atenção. Sugiro descrever o processo de seleção dos estudos nas bases de dados. As palavras-chave devem ser apresentadas antes da introdução. Seria interessante realizar uma pesquisa com a perspectiva dos profissionais das equipes de atenção primária sobre o enfrentamento da pendemia.

Foto do Usuário Maria Denise De Melo Machado 09-02-2021 12:50:35

O tema do resumo é de grande relevância para um análise ampla e critica a cerca do trabalho efetuado na atenção primária à saúde, sendo esta podendo fazer um trabalho horizontalizado buscando sempre o bem estar da população a quem se destina. Sendo assim, durante esse tempo de pandemia a mesma tem um papel fundamental na busca de prevenção de possível casos de infecção e/ou acompanhar pessoas em tratamento.

Foto do Usuário Josenaide Engracia Dos Santos 09-02-2021 12:50:35

A Atenção primária para enfrentamento da COVID 19, cabe abordar os problemas decorrentes das condições clínicas causada pelo vírus e as situações oriundos do isolamento social prolongado. O texto situa de forma consistente o lugar da APS como porta de entrada ao sistema de saúde e os desafios diante da pandemia.

Foto do Usuário Amanda Caroline Nunes Dos Santos 09-02-2021 12:50:35

o trabalho flui bem e possui questões relevantes e coerentes com o serviço de saúde brasileiro. Apreciei como explanaram os deveres da APS e os obstáculos para o enfrentamento do COVID 19. Bem como as possíveis soluções e previsões futuras.

Foto do Usuário ícaro Ferreira Da Silva 09-02-2021 12:50:35

Introdução bem escrita, concisa e direta. Os problemas de financiamento, gestão, estruturação de serviços e insuficiência de profissionais não são exclusividade da APS e é reflexo de um sistema de saúde subfinanciado desde a sua fundação. Recomendo rever o trecho. A questão norteadora apresentada no método usa o termo ''atenção básica'' mas o título usa o termo ''atenção primária''. Embora sejam constantemente tratadas como equivalentes os termos ''atenção básica à saúde'' e ''atenção primária a saúde'' guardam significativas diferenças políticas, ideológicas e conceituais. Sugiro utilizar somente um deles. Também no método: houveram critérios de exclusão? Os artigos considerados foram publicados em qual intervalo de tempo? Quais foram as limitações? Resultados: Os resultados apresentados têm uma discussão bem redigida.

Foto do Usuário Silas Alves Da Silva 09-02-2021 12:50:35

Trabalho muito interessante! O tema pertinente ao momento vivido no mundo e evidencia a importância da APS no combate ao Corona vírus e outras moléstias.

Foto do Usuário Elaine Santos Aguiar 09-02-2021 12:50:35

Importante tema para o cenário epidemiológico atual. Senti falta de uma visão mais realista da atenção primária. Sim, manejar a COVID 19 é importante e necessário. A atenção primária é a coordenadora do cuidado. Resta saber se os profissionais estão qualificados, se os pacientes não respiratórios serão preteridos.. Complexo

Foto do Usuário Ana Beatriz Pinheiro Ferreira 09-02-2021 12:50:35

Perfeitamente bem colocado a questão da desvalorização da APS, focando a importancia desse nível de saúde principalmente em momentos de pandemia. Um contexto muito bem abordado e delineando de forma simples e objetiva as soluções básicas como a capacitação dos profissionais, melhor estruturação das unidades, oferecendo assim melhores condições de trabalho, para que a Atenção Básica possa realizar o seu papel de ordenadora cuidado. Qual seria o motivo da pouca valorização e do pouco repasse dos recursos para a APS no Brasil?

Foto do Usuário Adriana Da Silva Baltar Maia Lins 09-02-2021 12:50:35

Tema muito oportuno. Experiência muito válida. Em tempos de pandemia, a atuação da Atenção Primária é essencial. O trabalho traz um contexto importante do trabalho que pode ser feito.

o Artigo possui uma relevante e atual temática reverberando na assistência aos pacientes com a COVID19. Dessa forma o estudo possui objetivos claros bem alinhados com a metodologia. Excelente construção metodológica. Os resultados foram apresentados de forma didática e clara. Artigo possui um bom arcabouço teórico, sou de parecer favorável para sua aprovação!

Foto do Usuário Phallcha Luízar Obregón 09-02-2021 12:50:35

Tema relevante, com ênfase na importância da Atenção primária á saúde dentro do Sistema de saúde. Destaca fragilidades e limitações para o desenvolvimento de ações, como a pandemia por COVID-19.

Foto do Usuário Katia Ferreira Costa Campos 09-02-2021 12:50:35

O trabalho tem uma redação boa, aborda tema oportuno e muito importante para o momento atual. Discute a Atenção Primária a Saúde de maneira interessante.

Foto do Usuário Daniela Silva Campos 09-02-2021 12:50:35

Tema do artigo relevante para a atualidade, porém não deixa claro o objetivo e faz uma abordagem superficial do trabalho em saúde mental na APS.