RELATO DE EXPERIÊNCIA: PARTICIPAÇÃO DO DISCENTE DE FARMÁCIA NAS ORIENTAÇÕES PRÉ INSERÇÃO DE DISPOSITIVO INTRAUTERINO DE COBRE (DIU) EM UM CENTRO DE ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DA MULHER AO SUL DO BRASIL(CAISM)

DOCUMENTAÇÃO

Tema: Saúde da Mulher

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AUTORIA

Ana Beatriz Dos Santos , Nevoni Goretti Damo , Thyara Becker Araldi , Carmen Liliam Brum Marques

ABSTRACT
O Dispositivo Intrauterino de cobre (DIU) é um método contraceptivo do grupo dos Métodos Contraceptivos de Longa Duração. O DIU com cobre, quando inserido dentro do útero, exerce ações locais que evitam a gestação, sendo um método seguro para evitar a longo prazo uma gestação. Pode ser usado em qualquer idade do período reprodutivo, sem a necessidade da intervenção diária da mulher e sem prejudicar a fertilidade futura (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018). Entre os métodos de contracepção fornecidos  pelo Ministério da Saúde, o DIU de cobre destaca-se por ser um método com alto potencial de eficácia, praticidade, segurança, de longa ação, reversível e não hormonal (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2018). Em nível mundial, o DIU de cobre possui uma ampla utilização e aproximadamente 15% da população faz uso deste método contraceptivo. No Brasil, as pesquisas revelam que há baixo registro de utilização, segundo o Ministério da Saúde (2018) a estimativa de uso do DIU de cobre é de aproximadamente 1,9%. O DIU de cobre também apresenta taxas de gravidez inferiores a 0,4 %, ou seja, 4 mulheres a cada 1000. (Ministério da Saúde, 2018).   Em dezembro de 2017 foi  homologado a portaria Nº 3.265, dispondo a respeito da  ampliação do acesso ao Dispositivo Intrauterino com cobre (DIU de cobre) no Sistema Único de Saúde (SUS) (BRASIL, 2017). Em 2004 foi introduzida a Política de Atenção Integral à Saúde da Mulher  no município de Blumenau, visando a promoção da qualidade de vida da população feminina, ampliando os conhecimentos sobre seus direitos na área da saúde, além de desenvolver ações específicas de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação para as mulheres. O Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (CAISM) iniciou seus trabalhos em 2012 em Blumenau - SC, disponibilizando atendimento específico a doenças femininas. O CAISM recebe pacientes encaminhadas pelas unidades de saúde, com agendamento via Sistema Nacional de Regulação (SISREG), que possuem alterações iniciais ou potencialmente precursoras do câncer do colo de útero, vagina e vulva, diagnósticos mais avançados, como colposcopia e biópsia; tratamento e encaminhamento para cirurgia ginecológica e inserção de Dispositivo Intrauterino de Cobre. O CAISM possui 11 profissionais de saúde na equipe, sendo eles: uma coordenadora; duas enfermeiras; duas técnicas de enfermagem; um auxiliar administrativo; quatro médicos ginecologistas efetivos e um médico ginecologista prestador de serviço. O objetivo deste trabalho é relatar a experiência vivida por uma discente do curso de Farmácia durante a participação de orientações antes da inserção de DIU. Este relato é baseado na experiência vivida durante os meses de maio a dezembro de 2019 pela discente e bolsista do projeto PET- Interprofissionalidade no CAISM. As orientações antes da inserção do DIU eram realizadas pelas enfermeiras e técnicas de enfermagem do cenário e pela discente. O PET-Interprofissionalidade tem o intuito de inserir os acadêmicos nos cenários do Sistema Único de Saúde (SUS) para conhecerem o funcionamento dos mesmos e desenvolverem atividades de ensino, pesquisa e extensão. Este projeto é uma parceria entre a Secretaria de Promoção à Saúde (SEMUS) do município de Blumenau com a Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB) e o CAISM é um dos cenários deste projeto. A participação durante os atendimentos possibilitou uma relação com os usuários do cenário. Durante os períodos em que a bolsista esteve no cenário foi possível conhecer as políticas de Saúde da Mulher e aprofundar os conhecimentos sobre os métodos contraceptivos não hormonais, principalmente sobre o DIU de Cobre. Atualmente, as usuárias do CAISM estão aderindo a este método pelo fato de seus efeitos colaterais não serem os mesmos causados pelos métodos contraceptivos hormonais, principalmente os anticoncepcionais orais. Durante as consultas as pacientes relatavam que um dos principais motivos de optarem pelo DIU como método contraceptivo era devido os problemas de adesão aos anticoncepcionais orais, pois muitas delas esqueciam de tomar o medicamento. Durante as orientações antes da inserção do DIU de cobre, era abordado junto às pacientes a importância do uso de métodos contraceptivos de barreira, como a camisinha,  durante as relações sexuais como proteção,  para evitar as Infecções Sexualmete Transmissiveis (IST), pelo fato do uso do DIU de cobre não protegê-las contra as ISTs. Como cita Caldas e Barboza (2015), os estudantes engajados com projetos nas comunidades se beneficiam com o conhecimento da realidade, a formação prática, o treinamento interdisciplinar, a consciência social, motivação e a maturidade. Outro ponto interessante durante o engajamento nos projetos é o conhecimento e a valorização do trabalho dos diferentes profissionais que atuam no cenário de prática, pois  permite maior troca de conhecimento entre eles e os acadêmicos e isso reflete num atendimento mais completo para as pacientes que frequentam o serviço. O acadêmico adquire conhecimentos com esse contato, pois coloca em prática a teoria discutidas dentro da sala de aula. A aproximação, a troca de conhecimentos e também de experiências entre acadêmicos, profissionais e usuário, possibilita o desenvolvimento do processos de ensino-aprendizagem, a partir das práticas vivenciadas, com o ensino e pesquisa durante a graduação de forma mais significativa. A participação em projetos, como o PET- Interprofissionalidade, possibilita o desenvolvimento de habilidades para futuras situações profissionais e criam uma visão profissional diferenciada. Os projetos de pesquisa e extensão permitem uma visão da realidade, contribuindo com o conhecimento de vivências reais. Os discentes envolvidos com estas atividades apresentaram no futuro uma postura mais ética e crítica sobre a prática profissional, acadêmica e pessoal. É um momento em que o acadêmico terá contato com a realidade social e poderá vivenciar diversas experiências construtivas (SANTOS et al., 2016). Por todos estes aspectos a participação dos estudantes em programas que envolvem ensino, pesquisa e extensão, como o PET-Interprofissionalidade, proporcionam a eles um saber mais qualificado e toda essa troca acaba beneficiando não só a academia, mas também o serviço e a comunidade.

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COMENTÁRIOS
Foto do Usuário Fernanda Fernandes Farias 09-02-2021 12:50:35

A estrutura do resumo expandido poderia ser subdividida para melhor compreensão. O tema é importante, principalmente para futura atuação do farmacêutico.

Foto do Usuário José Carlos Borges 09-02-2021 12:50:35

Um tema muito bom, entretanto sugiro melhoria na fundamentação teórica e apresente o objetivo com maior clareza contribuindo desse modo com a academia e com a sociedade.

Foto do Usuário Elias Marinho De Azevedo Júnior 09-02-2021 12:50:35

tema relevante com objetivo claro e bem apresentado.

Foto do Usuário Gisele A. Biondo Pietrafiesa 09-02-2021 12:50:35

Muito pertinente incluir o farmacêutico nas questões de planejamento reprodutivo

Foto do Usuário Bárbara Costa Fernandes 09-02-2021 12:50:35

Temática Extremamente pertinente e delicado, necessario de ser trabalhado principalmente sob a atual conjuntivite política.